segunda-feira, 8 de abril de 2013

Ode à Vaca.


O ônibus fez a curva no Largo do Machado e parou em frente à catedral para que alguns passageiros subissem e outros descessem. Havia um movimento em frente à igreja. A primeira imagem que captei foi um menino de uns vinte e poucos anos em uma cadeira de rodas, com um joelho enfaixado e uma máquina fotográfica pendurada no pescoço; ele a examinava com atenção.

Pensei: o que será que essa garotada está fazendo em frente à igreja? Olhei ao redor e vi uma turma numerosa sentada nos degraus da entrada principal. Em segundos meus olhos grudaram em duas pessoas. Um garoto louro com cabelos cacheados e barba tinha entre suas pernas abertas uma outra pessoa. O rapaz sorria e acariciava um dos mamilos de uma blusa florida.

E eu, que sempre ando com meu mp3 nos ouvidos, naquele momento notei que tocava “Vaca Profana” do Caetano: “Vaca profana põe teus cornos, prá fora e acima da manada”. Nossa...a trilha perfeita para cena.

Enfim, voltando àquela carícia tão pública, pensei: Caramba...o menino está passando a mão no seio da namorada sem a menor preocupação. Bem, deixe-me ver ao menos se ela está gostando.

A cabeça estava jogada para trás, encostada no peito dele, mas vi um sorriso estampando o rosto de pele clara. Sim ela estava gostando. Notava-se logo. Prendi-me a eles por alguns segundos. As carícias continuaram. Resolvi então analisar o entorno.

Ora ora...o rapaz que estava do lado direito do casal, sentado no mesmo degrau do rapaz louro, dono dos carinhos desinibidos, olhava-os com um sorriso. Hum...que interessante. E tudo isso em frente à Catedral do Largo do Machado. O riso veio sozinho e sem esforço.

Logo que o ônibus iniciou a saída dei aquela olhada derradeira. Notei então que a menina não tinha seios, apenas mamilos. E suas pernas eram peludas e seus cabelos pretos eram curtos. A menina era menino, mas a cena se deu mesmo nas escadarias da igreja. E não é mentira que no momento eu ouvia:

“Dona das divinas tetas derrama o leite bom na minha cara e o leite mau na cara dos caretas”

2 comentários:

  1. Irmã, eu já protagonizei uma cena de sexo em que - no momento que eu abria as pernas com voracidade, tocava Gal com plenos agudos "derrama o leite bom na minha cara".
    Não, eu não ri! Minha emoção estava em outro nível...

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