segunda-feira, 6 de abril de 2009

Vá, mas não me chame.

Feira de Gestante e Bebê. Já foi a alguma? Para quem não sabe, é um lugar onde comerciantes expõem seus produtos relacionados a um público gravídico e ávido por novidades.

Você pode comprar de tudo lá, desde fraldas descartáveis até o berço da criança, passando por carrinhos de passeio e roupas. Às vezes você até paga mais barato do que se comprasse em lojas.
Nesse final de semana do dia 5 de abril teve, não uma feira, mas uma MEGA feira. Pelo menos assim anunciavam. Tanto assim que o local escolhido foi o Rio Centro.

Como Adrián e eu já tínhamos ido a duas outras feiras em distintos locais e faltavam algumas coisinhas para comprar, fomos a tal da MEGA, com a doce ilusão de que seria mais tranquilo, já que seria em um lugar maior e talvez, melhor para caminhar, olhar e escolher.
A ingenuidade cobra um alto preço, na maioria das vezes, já perceberam?

Assim que entramos no lugar, pavilhão, verificamos que não tinha ar condicionado, eram grandes ventiladores. E sim, está calor aqui no Rio.
Outro aspecto por nós observado foi o de que NÃO, não era melhor para caminhar do que nos lugares anteriores. Era pior. Os estandes são montados uns colados nos outros e os corredores são estreitos. Mas o pior mesmo são as pessoas.

Sim, as pessoas. Fazendo uma análise sociológica da feira, cheguei à conclusão de que é um baita programa familiar. Havia famílias inteiras na feira; pai, mãe, criança(s) e avós. É isso mesmo, todos juntos. Aí, ao invés de me concentrar na lista que tinha levado e procurar os produtos, eu me atinha a observar essas pessoas. A verdade é que quando eu me irrito com alguma coisa, gosto de ficar traçando uma teoria e possíveis soluções para aquilo que estou vendo, coisa de louco, né? Mas é assim que funciona.

Enfim, eu me perguntava: por que os pais não deixaram a criança com os avós e vieram sozinhos à feira? Por que será que eles acham mais legal aparecer por aqui com um carrinho de bebê e dirigi-lo olhando para os lados ou para o nada enquanto quase nos atropelam? Ah sim, porque você que se vire para desviar deles ou então, se achar melhor, deixe-se atropelar. Afinal, eles são pais e parecem se achar com mais direitos que os outros pobres mortais.

Outro problema dos carrinhos de bebês, ou melhor, de quem os pilota: o estacionar. Sim, eles param os carrinhos de atravessado nos corredorres ou dentro das lojas, que é para incomodar bastante o próximo, para não dar passagem àqueles chatos que querem se locomover. Mas o mais empolgante é quando param lado a lado com outro carrinho, bloqueando por completo as passagens.

Enquanto observava tudo isso, Adrián me perguntou: já está perdida? E eu: Hã? É, já. Vamos embora? E ele: agora, pelo amor de Deus! E saímos correndo de lá. Quando finalmente estávamos lá fora respirando ar puro, comecei a contar-lhe minhas observações e indagações. E o que geralmente lhe causa graça e o leva a dizer que eu tenho "medo de gente", dessa vez fez com que ele concordasse comigo indignado e me avisasse que NUNCA MAIS quer botar os pés numa feira de gestante e bebê na vida dele.

É, algumas experiências podem ser traumáticas, principlamente se você gosta de observar e se perguntar a razão das coisas.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Esperando Dante II

Vai chegando ao fim um período de nove meses, não digo que longo, pois me pareceu importante para assimilar a idéia da maternidade. Foi um tempo em que eu me preparei psicologicamente para ser mãe. Às vezes nem me lembrava que estava grávida, como no dia em que pulei uma sarjeta em Rafaela/Argentina para não molhar os pés. Entretanto, Dante já estava lá e, insatisfeito, protestou dando-me um chute para que eu fosse mais cautelosa. O que eu estava pensando?!

Agora falta menos de duas semanas para a estréia desse pequeno com o nome de um grande poeta. No início, quando eu dizia às pessoas que se chamaria Dante, como o Alighieri, muitas se impressionavam e logo se lembravam da expressão "Inferno de Dante". Devo esclarecer, porém, que nem só de inferno viveu Dante. A famosa "Divina Comédia" é uma obra divida em três partes: inferno, purgatório e paraíso. E tem esse nome porque até àquela época, tudo o que terminava mal era considerado tragédia. Como a obra em questão termina no paraíso, ele achou por bem chamá-la de comédia, mesmo que de engraçado não tenha nada. Talvez para Deus, se levarmos em conta o palpite de Chico Buarque de que "Deus é um cara gozador, adora brincadeira".


Quanto ao tempo que ainda falta para a estréia, devo admitir que não me sinto ansiosa. Provavelmente é mais um presente de Dante, que me deixou mais calma, tolerante e saudável, pelo menos durante a gestação. Pratiquei yoga, comi melhor e minha ira frente a algumas chateações do mundo cotidiano diminuiu. Diminuiu, devo alertar.


Foram nove meses de surpresas e descobertas. Primeiro vieram os enjôos, as dores de cabeça e um problema na glândula tireóide. Depois vieram os movimentos dentro da barriga, sendo que o primeiro deles foi durante uma aula de yoga. O crescimento da barriga me obrigou a dormir de lado, o que de início desagradou bastante o pequeno. Simplesmente não gostava da posição e, muitas vezes, para que ele paresse de chutar e eu conseguisse dormir, tinha que ficar de barriga para cima, sua posição preferida e que, ultimamente, tornou-se inviável pelos 10 Kg concentrados na região abdominal . Também não aprecia, quando me viro na cama e abraço Adrián pelas costas, encostando minha(?) barriga contra sua coluna. Pai zeloso que é, Adrián me advertiu com certo rigor que não faça mais isso, pois notou que nesse momento Dante começa a chutar, como se quisesse afastar aquilo que lhe rouba espaço, e completou: ele não gosta!

Às vezes fico em segundo plano, como quando reclamo que estou cansada por ter andado muito. Adrián logo se dirige à barriga e dispara: tadinho do filhinho, tá cansado? E não adianta explicar que não, que cansada só eu mesmo. Talvez por isso não esteja tão ansiosa para a grande estréia, Adrián e eu criamos um ligação interessante com essa morada temporária de Dante. E mesmo ainda estando lá dentro, Dante também interage muito conosco, como no dia em que fomos ao cinema e o som estava muito alto. Mais uma vez, fez questão de demonstrar seu desagrado. Algumas vezes pensamos que já tem algumas preferências musicais, pois se manifesta quando ouve Eric Clapton, Queen, Beatles, Guarani e Chaqueño Palavesino. É, vejam que ironia, os três primeiros ingleses e os dois últimos argentinos.

Ainda tem esse ingrediente interessante, a rivalidade just for fun. O pai é argentino, a mãe paulista e o filho carioca. Vamos ver onde isso vai dar. Que venha Dante!

Ps: Esperando Dante II porque Lucas, o tio, já escreveu um texto com mesmo nome em seu blog omaisfranco.blogspot.com.