Hoje, Vanessa me pediu que eu lhe
mandasse um email contando as peripécias de Dante. Prometi que o faria, porém
farei por aqui mesmo, assim, outros interessados podem acompanhar.
Quando saímos de férias em junho
desse ano fomos para Trancoso/Bahia. Ficamos em uma pousada perto do famoso
Quadrado. Todos os dias comíamos por lá. Numa das noites, ele disse que queria
voltar para a pousada, pois estava com sono e queria dormir. Adrián ofereceu-lhe
o colo para que ele dormisse, oferta que ele não só aceitou como simulou uma
dormida fechando os olhinhos. Eu tirei uma foto. E ficamos brincando com isso.
Em uma das fotos ele está com olhos fechados, na outra com olhos arregalados.
O fato é que ele queria mesmo
voltar para a pousada, para a “casa blue”, como ele chamava nosso chalé azul.
Ao voltarmos ele não só não dormiu como ficou agitado, pulando na cama e
gritando. Eu não dei mole e fui logo questionando: Escuta, você não falou que
queria voltar para casa porque queria dormir?
Ele me olhou surpreso e com os
olhinhos mirando para cima em busca de alguma resposta que o salvasse pôs-se a
repetir: é...é...é...
Eu não dava mole: você falou isso
sim, disse que queria dormir, durma agora, Dante. Vamos, estou esperando. Você
nos fez voltar e agora tá aí, todo acordado. Como é que é isso? Agora quero ver
você dormir!
E ele: é...é...mas...
Até que lhe ocorreu um fato muito
importante e que aquela minha conduta acusatória cheia de razão não estava levando
em conta: “óla mamãe...eu dumi, você tilo foto”
Diante do meu olhar chocado e
boca entreaberta, Adrián apontou-me o dedo e morreu de rir. Eu, do meu lado,
estava incrédula com o que ouvi, porém em êxtase. O meu menino, com tão pouca
idade, diante de discurso tão veemente, requereu provas sabidamente produzidas.
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