Um dia saí para almoçar com
Adrián e o pessoal que trabalha comigo. Entre as conversas amenas, surgiu a
problemática do buraco negro. Adrián e Santoni contavam-me empolgados que o
tempo para em buracos negros. E eu: como assim? Eles: o tempo para, ninguém
sabe por que, mas é sabido que o tempo para. E eu: que coisa!
Empolgados, contaram-me mais: que
há na equação da teoria da relatividade uma singularidade representando esse
fenômeno. Essa singularidade indica que no buraco negro as leis da física não
se aplicam e que o tempo para.
Fiquei realmente fascinada com a
revelação. Achei o máximo. Fiquei pensando nisso um bom tempo.
No dia seguinte, Dante nos
acordou pedindo café da manhã. Levantei-me e fui para a cozinha providenciar a primeira
refeição com olhos semicerrados. Minutos depois, todos à mesa, Dante começa
falar animadamente. Uma coisa é importante esclarecer; antes de ingerir a
primeira xícara de café eu não fico bem.
Isso, porém, não importa a Dante
e ele olhava para minha cara e falava e falava e falava. Pedi para ele ficar
quietinho, só um pouquinho. Não ficou. Mais; começou a repetir como um mantra o
seguinte: eu sei tudo, eu sei tudo, eu sei tudo. Isso sem nem parar para
respirar.
Diante de tal situação, resolvi
reagir. Botei a mão na cintura e um olhar desafiador na expressão e disparei:
ah é? Você sabe tudo? E ele: sei, eu sei tudo, com olhar igualmente desafiador
e um biquinho para demonstrar autoridade. E eu: então me diga; o que significa
a singularidade na equação da teoria da relatividade?
Falei mesmo! Ouvi o Adrián dizer
baixinho: tadiiiiinho! Entretanto, quase ao mesmo tempo ao lamento do pai,
Dante devolve: é stop! Rapidamente, a expressão de dó de Adrián transformou-se
em gargalhada. A derrotada botou a mesma cara de choque do episódio narrado
anteriormente. O pai ainda concluiu: está certo...é isso mesmo, Dante. Esse
menino sabe tudo.
Foto: Cecília Bhering de Araújo.
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