domingo, 26 de agosto de 2012

Dante e o buraco negro.


Um dia saí para almoçar com Adrián e o pessoal que trabalha comigo. Entre as conversas amenas, surgiu a problemática do buraco negro. Adrián e Santoni contavam-me empolgados que o tempo para em buracos negros. E eu: como assim? Eles: o tempo para, ninguém sabe por que, mas é sabido que o tempo para. E eu: que coisa!

Empolgados, contaram-me mais: que há na equação da teoria da relatividade uma singularidade representando esse fenômeno. Essa singularidade indica que no buraco negro as leis da física não se aplicam e que o tempo para.

Fiquei realmente fascinada com a revelação. Achei o máximo. Fiquei pensando nisso um bom tempo.

No dia seguinte, Dante nos acordou pedindo café da manhã. Levantei-me e fui  para a cozinha providenciar a primeira refeição com olhos semicerrados. Minutos depois, todos à mesa, Dante começa falar animadamente. Uma coisa é importante esclarecer; antes de ingerir a primeira xícara de café eu não fico bem.

Isso, porém, não importa a Dante e ele olhava para minha cara e falava e falava e falava. Pedi para ele ficar quietinho, só um pouquinho. Não ficou. Mais; começou a repetir como um mantra o seguinte: eu sei tudo, eu sei tudo, eu sei tudo. Isso sem nem parar para respirar.

Diante de tal situação, resolvi reagir. Botei a mão na cintura e um olhar desafiador na expressão e disparei: ah é? Você sabe tudo? E ele: sei, eu sei tudo, com olhar igualmente desafiador e um biquinho para demonstrar autoridade. E eu: então me diga; o que significa a singularidade na equação da teoria da relatividade?

Falei mesmo! Ouvi o Adrián dizer baixinho: tadiiiiinho! Entretanto, quase ao mesmo tempo ao lamento do pai, Dante devolve: é stop! Rapidamente, a expressão de dó de Adrián transformou-se em gargalhada. A derrotada botou a mesma cara de choque do episódio narrado anteriormente. O pai ainda concluiu: está certo...é isso mesmo, Dante. Esse menino sabe tudo.


                                   Foto: Cecília Bhering de Araújo.

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