Parecem excludentes. E penso que são, para a maioria das pessoas. A felicidade requer o outro para amar e ser amado. Solidão? O que teria ela a acrescentar na dinâmica da felicidade?
Na verdade, não me fiz essa pergunta, pois não vejo a solidão com maus olhos. Há momentos em que a desejo muito em meio ao cotidiano de afazeres e compromissos. Gosto dela. E desfruto dos momentos em que nos encontramos, pois são raros e preciosos.
Houve um tempo em que éramos íntimas, mas então eu almejava que nossos encontros fossem menos freqüentes. Natural, suponho.
Justamente por conta disso, foi que o título “Felicidade através da Solidão” não me causou estranheza, mas sim me jogou em inquietante curiosidade. Qual seria a história desse Ensaio, cujo autor, teima em não mandar um de seus originais para uma editora a fim de se testar?
Em minha nada abalizada opinião, parece-me que suas tramas despertariam interesse, porém, meu amigo prefere insistir no anonimato absoluto, primo da solidão. Apenas algumas pessoas tem a oportunidade de mergulhar num mundo de sentimentos como curiosidade, ansiedade, aflição e angústia, para só então constatar que todos os temores em que foram lançados, ao final, se concretizarão.
Não. Não é obviedade que descreve a narrativa tensa desse Ensaio. Os elementos são disponibilizados desde o início como peças de quebra-cabeças que, juntando-as, vão contornando aquele final que parece inevitável. O desfecho é desenhado ao longo de todo o texto e não apenas no último capítulo ou derradeiras frases.
"Felicidade através da Solidão" não é um texto longo; tem 152 páginas, das quais li trinta na noite em que chegou às minhas mãos e as outras 122 na noite seguinte; o que me lançou em insone reflexão. O sono que me vence em minhas leituras noturnas, dessa vez foi impiedosamente afastado por momentos de tensão, incredulidade, tristeza e nostalgia.
E apesar de o autor não descrever fisicamente seus personagens, atendo-se mais aos gestos e construções de perfis psicológicos, o rosto e o olhar de Letícia se revelaram a mim em sua primeira aparição.
A trama se passa no final do século XIX e início do XX, quando os produtores de café estavam em franca decadência financeira e de valores, tidos até então como inabaláveis.
O tempo é longínquo, mas a Solidão e a Felicidade são questões atemporais e, que nesse Ensaio, formam um belo casal.
Susana, muito interessante e tocante. Fiquei curiosa para ler o Ensaio. A solidão é estranha, encanta quando nos falta e assusta quando é constante. A felicidade também, por ser efêmera e parecer estar sempre de partida. Parabéns e não pare!
ResponderExcluirCarla, você tem razão...que linda reflexão, adorei isso. Beijo.
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ResponderExcluirMuito boa a resenha! Revela cuidado e criatividade da blogueira.
ResponderExcluirA solidão favorece o silêncio da alma, que nos liga ao Criador e à verdadeira felicidade, acrescentaria, embora imagine não ser dela de que fala o autor do ensaio.
Pedro,muito interessante sua visão. E acho que o autor do Ensaio também a vê por essa vertente, de certa forma. Abraço.
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